“As exportações de suíno para os Estados Unidos foram, no ano passado, de 29 mil a 30 mil toneladas, quase US$ 70 milhões”, disse Santin. Antes isentos, os embarques agora terão a nova taxa mas, segundo o presidente da ABPA, os principais concorrentes estão em situação ainda mais desvantajosa. “A Europa, por exemplo, que exportava para os Estados Unidos, tem tarifa de 20%.”
No caso da tilápia, principal carne de peixe exportado pelo Brasil para os EUA, a taxa de 10% também não deve tornar inviáveis os negócios. “Os Estados Unidos são o maior destino da tilápia brasileira. No ano passado, exportamos 11 mil toneladas, o que representou US$ 50 milhões. Agora, a tarifa passa a ser 10%, mas concorrentes como o Vietnã e a China enfrentam taxas ainda mais altas, de 34%”, comentou.
Santin também mencionou a possibilidade de reajustes nos preços globais de alimentos diante da nova política tarifária dos EUA. “Pode acontecer de um importador repassar integralmente a tarifa ao consumidor, encarecendo o produto. Mas também pode haver um ajuste na margem de lucro para manter competitividade. São variáveis de mercado que ainda precisam ser acompanhadas”, explicou.
O governo brasileiro, destacou Santin, já se manifestou contra as tarifas e mantém diálogo com autoridades americanas. “Alimentos não deveriam ter barreiras tarifárias. O comércio de alimentos deve ser o mais livre possível para combater a fome no mundo”, afirmou.