A União Russa de Produtores de Suínos solicitou ao governo a retomada do programa de empréstimos subsidiados para o setor, interrompido em 2018 após o cumprimento das metas de segurança alimentar. A possibilidade está sendo avaliada pelo Ministério da Agricultura, de acordo com Sergei Voskresensky, diretor do Departamento de Pecuária e Melhoramento Genético, durante a conferência Pig Breeding-2024, em Moscou.
O setor enfrenta desafios financeiros, com a taxa básica de juros do Banco Central russo atingindo 21% em outubro de 2024 e a previsão de que suba para 23% devido à inflação crescente. Com esses números, os empréstimos comerciais se tornaram praticamente inacessíveis, o que ameaça limitar o crescimento do setor a poucos pontos percentuais nos próximos anos, segundo a União Russa de Produtores de Suínos.
Produção cresce, mas lucratividade preocupa
Apesar das dificuldades, a produção de carne suína russa segue em alta. Nos primeiros nove meses de 2024, o volume atingiu 4,8 milhões de toneladas em peso de carcaça, um aumento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ministério da Agricultura projeta que o total anual alcance 6,2 milhões de toneladas, superando as 6 milhões de 2023.
Entretanto, o custo de produção tem subido de forma expressiva, com uma alta projetada de 20% entre 2023 e 2025, alcançando 90 rublos por quilo (cerca de 0,90 euros). Segundo Yuri Kovalev, presidente da União, sem aumento de preços compatível com a inflação, novos projetos podem se tornar inviáveis nos próximos 8 a 10 anos. Além disso, até mesmo algumas granjas já existentes podem enfrentar dificuldades financeiras.
Cenário exige soluções
Desde 2019, os empréstimos subsidiados foram limitados a investimentos em fábricas de ração, centros genéticos, abatedouros e instalações de processamento. Embora a medida tenha controlado o crescimento do setor e evitado excesso de oferta, a conjuntura econômica atual exige novas soluções para preservar a competitividade e a sustentabilidade da indústria de suínos na Rússia.
Com os desafios de custos e financiamento, a retomada dos empréstimos subsidiados surge como uma prioridade para evitar a estagnação do setor, que desempenha um papel estratégico no mercado alimentício do país.