Languiru detalha negociações e planejamento para 2024 em reunião com associados

Cerca de 400 pessoas participaram do evento

Aproximadamente 400 pessoas, entre associados, familiares, lideranças municipais e imprensa, participaram de reunião da Languiru na tarde da quarta-feira (29). Em pauta as negociações em andamento, especialmente a venda do Frigorífico de Suínos, de Poço das Antas; projeções para 2024, com ênfase para os segmentos aos quais a Cooperativa dará continuidade; e informações preliminares que serão tratadas em Assembleia Geral Extraordinária, agendada para o dia 21 de dezembro, principalmente questões relacionadas ao estágio de liquidação extrajudicial. O presidente liquidante, Paulo Roberto Birck, conduziu a reunião, que também contou com espaço para a manifestação dos participantes.

Credores

Birck detalhou as etapas do processo de liquidação e falou da lista de credores. “A expectativa é de que até o fim do mês de março possamos apresentar um plano de pagamentos das contas anteriores à data de instalação do estágio de liquidação extrajudicial. Os credores que não são instituições financeiras foram divididos em seis faixas que consideram os valores a receber”, explicou, acrescentando que apesar do cenário de dificuldade econômica e financeira, há fornecedores e associados que seguem confiando e acreditando na recuperação. “Continuam sendo parceiros e a maioria dos associados segue produzindo para a Languiru.”

Com relação aos credores financeiros, que somam a maior parte da dívida, Birck mencionou as garantias em móveis e imóveis. “Essa é uma realidade que, por vezes, torna as negociações de ativos da Languiru mais demoradas. Por outro lado, há valores contabilizados na dívida com instituições financeiras que só vencem em 2037”, disse.

Funcionários

Com gráficos, foi possível visualizar a redução no número de funcionários da Cooperativa, passando de 3.493 em outubro de 2022 para 819 em outubro de 2023, o que representou expressiva redução da folha de pagamento, de R$ 7,5 milhões mensais para R$ 1,9 milhão. Paralelamente a isso, ainda há as rescisões dos empregados desligados, cujos valores estão sendo pagos parceladamente a partir de negociação prévia com os sindicatos e homologação junto à Justiça do Trabalho. “Os pagamentos estão em dia, mas a Languiru está passando por um processo de readequação para novo formato de negócios. Todos os setores passaram por reduções. Vamos priorizar o resgate da filosofia empresarial da Cooperativa, que está baseada na produção de alimentos e realização de serviços com qualidade. Vamos voltar a olhar mais para o campo”, afirmou Birck.

Negociações

O presidente liquidante elencou as negociações realizadas e em andamento nos diferentes segmentos. Entre essas, citou o distrato de compra e venda das estruturas para grãos na área portuária do município de Estrela; venda e fechamento de operações de supermercados no Vale do Taquari; e venda do Frigorífico de Suínos.

As tratativas relacionadas à planta industrial de Poço das Antas foram bastante detalhadas. “No protocolo de intenções assinado entre Languiru, JBS/Seara e Governo do Estado, não consideramos apenas o valor de R$ 80 milhões, mas também as condições da negociação”, afirmou Birck, referindo-se à possibilidade de todos os associados produtores de suínos passarem a ser integrados da empresa; à produção de toda nutrição animal dessa cadeia produtiva na Fábrica de Rações em Estrela; à recontratação de funcionários e credenciamento dos prestadores de serviços; ao investimento de R$ 120 milhões da JBS/Seara em cinco anos, chegando ao abate de 3,4 mil suínos/dia em Poço das Antas; e às possibilidades de outras parcerias, especialmente nos segmentos de aves, na captação e armazenagem de grãos na região.

“A Languiru também deve reativar as atividades nas suas Unidades Produtoras de Leitões de Teutônia e de Bom Retiro do Sul, passando a ser integrada da JBS/Seara. Nas rações, a demanda da empresa deve ocupar quase 50% da capacidade produtiva da nossa fábrica, tornando a operação viável. Os investimentos da JBS/Seara nos próximos cinco anos também estarão beneficiando toda a região com a geração de empregos e renda. Estamos negociando propostas concretas”, alertou o presidente liquidante.

Especificamente quanto ao segmento de Supermercados, ele adiantou que há negociações em andamento das operações e recebimento de aluguel dos prédios das unidades de Teutônia, Poço das Antas, Arroio do Meio e Cruzeiro do Sul. “A partir da efetivação de qualquer negociação de ativos da Languiru, a Cooperativa irá se manifestar e anunciar.”

Segmentos

O processo de reorganização das atividades da Languiru estima a manutenção nos segmentos de lojas Agrocenter (bazar e insumos), leite, rações, grãos e aves.

No varejo, o foco será na comercialização de rações e matérias-primas da Fábrica de Rações e venda de defensivos, fertilizantes e farmácia veterinária. “Pretendemos voltar a ser referência no segmento de Agrocenter, aliado ao trabalho de assistência técnica que prestamos”, explicou.

Na avicultura, a Languiru conversa com parceiros para prestação de serviços no Frigorífico de Aves de Westfália, viabilizando o abate num turno de trabalho, com 75 mil aves/dia. “A JBS é uma das possíveis parceiras e já demonstrou interesse em abater na nossa planta. Hoje trabalhamos com o abate de apenas 120 mil aves por semana, o que torna a operação industrial inviável”, enumerou.

Na cadeia leiteira, Birck valorizou a parceria entre Languiru e Lactalis. “Repassamos a matéria-prima produzida pelos nossos associados à empresa com sede em Teutônia. Antes disso, todo volume de leite vai para nossa Indústria de Laticínios, onde passa por processo de padronização. É uma prestação de serviços que realizamos para a Lactalis, além do aluguel de estrutura de pavilhões para depósito da empresa. Produtores e transportadores de leite estão com os pagamentos em dia muito graças a essa parceria”, valorizou, acrescentando que há negociações em andamento para ampliação dessa parceria.

Nos segmentos de grãos e de nutrição animal, a partir do distrato das negociações da área portuária, a Cooperativa otimizará o aproveitamento das instalações na fábrica de Estrela e na infraestrutura própria que possui em Teutônia. “Retomamos a produção e comercialização da ração comercial, cuja marca Languiru é muito bem-conceituada no mercado pela sua qualidade. Além disso, temos capacidade para secagem de 800 toneladas/dia de grãos (13 mil sacos/dia) e de 16 mil toneladas (267 mil sacos) para armazenagem. Não é somente a venda de ativos, mas atenção especial em tornar outras unidades e negócios viáveis”, concluiu Birck.

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