Mudanças no padrão de consumo de alimentos dificultam projeções de demanda

Segundo FAO e OCDE, peso na decisão de compra de fatores como cuidados com a saúde e preocupações ambientais tem crescido

A próxima década deverá trazer mudanças sem precedentes nos padrões de consumo de alimentos, preveem a Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em relatório sobre as perspectivas agrícolas 2022-2031. Isso sinaliza desafios para grandes exportadores, como o Brasil.

Para as duas organizações, uma fonte de incerteza está relacionada à evolução das preferências dos consumidores. As decisões de compra são cada vez mais determinadas por fatores que vão além dos preços, cultura e sabor, envolvendo cuidados com a saúde, preocupações ambientais e considerações éticas relativas ao bem-estar e ao consumo de animais e seus produtos.

Essa tendência se reflete no aumento do número de pessoas que adotam estilos de vida vegetarianos, veganos ou flexitariano em países desenvolvidos, sobretudo entre os jovens consumidores. Os mercados de carne e laticínios são os mais afetados pela migração da demanda para proteínas de origem vegetal ou para fontes alternativas de proteínas, como insetos e “cultured meat” (ou “carne de laboratório”). Mercados de ração também poderão ser impactados.

No entanto, como o consumo desses produtos alternativos deve permanecer muito limitado ao longo da próxima década, FAO e OCDE não os levam explicitamente em conta, mas alertam que as mudanças criam incertezas em suas projeções de demanda.

O desenvolvimento de políticas agrícolas também dificulta as projeções. Vários países introduziram, ou estão planejando, medidas para reduzir o consumo geral de calorias ou para promover uma mudança para dietas saudáveis.

Essas medidas incluem políticas fiscais (como impostos sobre açúcar ou gordura saturada e subsídios para alimentos nutritivos), esquemas de rotulagem, reformulação de produtos em colaboração com a indústria e programas educacionais (para refeições escolares, por exemplo). Tudo isso pode afetar tanto a demanda por alimentos, “bem como a demanda relativa por diferentes produtos alimentícios de maneira difícil de prever”, diz o relatório.

FAO e OCDE preveem que na próxima década a produção de cereais deverá crescer 12%, ou o equivalente a 343 milhões de toneladas. Quase metade desse acréscimo virá do aumento da produção de milho, enquanto trigo e arroz responderão por cerca de 20%. Índia, Rússia e Canadá responderão por mais de 50% do aumento do trigo. Estados Unidos, China e Brasil, por sua vez, serão responsáveis por mais da metade do aumento na produção de milho.

Os EUA devem seguir como o principal exportador de milho, embora com volume inferior ao do ano-base (2019/21) pico – a participação dos americanos nas exportações cairá ligeiramente, para 29%. Já a exportação do Brasil (21% do total) crescerá, puxada pelo aumento da produção de segunda cultura.

 

CARNES

Para gado e peixes, a estimativa é de que a produção global aumentará 16% até 2031. China, Índia, Brasil, Estados Unidos e a União Europeia continuarão com amplo domínio da produção animal, respondendo por quase 60% do total.

Segundo FAO e OCDE, a produção global de carne bovina deverá crescer 8% (6 milhões de toneladas) e contribuir com 12% do aumento das proteínas animais. A produção da América Latina poderá crescer 11% até 2031, respondendo por 33% do produção adicional. A produção americana crescerá apenas 4%. O desempenho deve-se às perspectivas de baixa produção e de lucratividade limitada, decorrentes, por sua vez, da lentidão da demanda, afetada pela migração dos consumidores para a carne branca. China e Índia responderão por cerca da metade do crescimento global da produção de gado e pescado – o aumento deverá ser de 17% e 37%, respectivamente. Para a América Latina, estima-se crescimento de 12% da produção de gado e pescado.

A carne de frango, com avanço de 16% (21 milhões de toneladas) nos próximos dez anos, deverá responder por mais da metade do crescimento global na produção de proteína animal nesse período. Essa expansão virá com a rentabilidade firme que se espera para a atividade, resultado da demanda crescente e de relações favoráveis de preço da carne em relação a outras opções.

Os Estados Unidos responderão pelo crescimento de 8% da produção mundial de carne de aves, um desempenho puxado pela intensificação da produção, enquanto o Brasil será responsável por 5%. Na Europa, a produção de carne de aves deverá crescer apenas 4%.

No caso de carne suína, a produção global poderá aumentar 17% (18 milhões de toneladas) até 2031 em comparação com a base de 2019/21. A proteína será responsável por 38% do crescimento total da produção de carnes. A maior parte da produção adicional de carne suína deverá vir de China, Filipinas e Vietnã.

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